Prezados leitores, por problemas técnicos em meu computador, bem como por atribuições outras, fiquei alguns dias sem escrever; ou melhor, sem publicar. No entanto, estou de volta! Pensei em expor uma poesia, mas desisti, por ora; Submeto-lhes uma redação dissertativa, que no momento adequado enviarei para publicação em coluna jornalística, aqui em Maceió/AL.
O tema foi proposto pelo colega Eduardo Sampaio, jovem e talentoso professor de Língua Portuguesa e Redação do Impacto Curso (AL), tradicional curso pré-vestibular e preparatório para concursos. Ei-lo:
Imaginem uma "árvore" hierárquica de profissionais. No topo, tem-se o dono de dada empresa; mais abaixo, o diretor; mais ainda, o gerente; e assim avante, até aos estagiários. Tenham em mente que, quanto mais inferior o posto ocupado, mais as figuras se vão apresentando em tonalidade clara, quase imperceptível. Agora, leiam o comentário a seguir, o qual reduzi parafraseando, do professor Eduardo, e o tema sugerido. Após, segue a minha redação.
Quando o assunto é a conduta das pessoas, frente a posição que ocupam nas escalas social e econômica, várias opiniões surgem. Uns – os mais conservadores e tradicionalistas – acham que a submissão aos hierarquicamente superiores é condição basilar, essencial para o crescimento profissional; outros – os mais liberais – têm consciência disso, mas pensam haver limites no que tange a essa obediência. Aqueles preferem suportar desaforos, deixar passar alguns constrangimentos; estes, ao revés, não se submetem a tais situações, encarando a demissão ou mesmo a perda da liberdade, se for o caso.
Com base nesses pontos e na figura hipotetizada, escrevi algumas linhas acerca deste tema metafórico:
OS MAIS NOTÁVEIS SERES HUMANOS APRESENTAM SIGNIFICATIVAS SEMELHANÇAS COM AS IMPONENTES ÁRVORES: QUANTO MAIOR SUA SOMBRA, MAIS PROFUNDAS DEVEM SER SUAS RAÍZES.
As relações humanas são dotadas de enorme complexidade. Não raro, o ser humano extrapola em suas ambições e perde a razoabilidade de suas atitudes e palavras, sobretudo quando se encontra em posição sócio-econômica elevada. Mas também há os que, sendo bons frutos de grandiosas árvores, dificilmente se iludem com a glória passageira e têm consciência de que a humildade é um dos caminhos pelo qual, descendo, conduz-se às alturas.
Muitos confundem prestígio com reconhecimento de valor. São os insensatos que se autovalorizam apenas em função de seu poder ou de sua casta social. Esquecem-se de que a verdadeira importância individual esconde-se, muitas vezes, por trás de figuras aparentemente insignificantes e humildes. Quando estão no topo, vêem tudo ao seu redor menor do que realmente é; sequer se lembram do real motivo que os fizera lutar para alcançarem aquele ponto. Via de regra, ao chegar a uma posição acima daquela imaginada poder estar, o homem perde a noção de seus objetivos, ficando deslumbrado, quase cego para aquilo que, no fundo, é.
De outro lado, existem os bons frutos. Calcados na humildade constante, raramente olvidam o quão limitados e impotentes somos, diante de certas circunstâncias da vida. Nunca se sentem totalmente seguros ou auto-suficientes, ainda que se imaginem no mais alto que a pequeneza humana fê-los chegar. Se se perdem as referências, por certo se corrompe a própria alma. As mais vastas sombras, contudo, possuem lucidez e bom senso o suficiente para perceberem que aquilo que se lhes apresenta grande altura não passa, no mais das vezes, de um pequeno degrau na geografia da vida.
Nesse sentido, as enormes essências residem em minúsculos vasos. O adágio popular revela invulgar sabedoria. É nos átomos que se concentra toda a força da matéria; é nos humildes que a virtude se fortalece sem demasiado orgulho, nem poder, nem vaidade. Todos, afinal, somos admitidos, tarde ou cedo, na Universidade do Além, e nos igualamos, inevitavelmente, no limite dos sete palmos.
Escrito por Yuri Monteiro Brandão às 18h59
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