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O falecimento do palhaço Carequinha tem um significado que parece ser inobservado pelas gerações que me antecedem. E não podia ser diferente, pois a garotada de hoje não vai mais a circos, não faz mais "assaltos" (um tipo de festa), nem assiste ao pica-pau, ao Chaves e outros afins. Também não brinca mais de gude (ou ximbra, como conhecemos aqui nas Alagoas), nem de esconde-esconde, nem de pega-ajuda, nem de tô-no-poço, polícia-e-ladrão etc.
Atualmente, essa nova geração trocou isso pelas baladas, pelos bares, pelos computadores e, de forma mais intensa, pelo álcool e por outras drogas mais pesadas... Perdeu-se, consideravelmente, o sentido daquelas brincadeiras infantis em conjunto, que nos ensinavam, sem que nós nos déssemos conta, a valorizar mais o grupo, a sermos nós mesmos, crianças que éramos... Não nos preocupávamos em ser crianças, não nos dávamos, paradoxalmente, à infantilidade de pôr um cigarro na boca ou beber uma cerveja só para pensarmos ser mais adultos, para que aquela garota mais velha nos olhasse com outros olhos que não os da infância, próprios de nós mesmos. Não perdemos a nossa infância precocemente. Nossos 10, 11, 12 anos eram o auge dela. Nos dias que correm, são o tempo da (ir)responsabilidade assumida pelo rebento que chora, talvez como um prenúncio de que não terá infância, de que a perderá mais prematuramente do que seu rebento pai.
E por que teço esses breves comentários? Certamente porque a morte do palhaço Carequinha fez vir à tona, pelo menos em mim, um sentimento praticamente enterrado nessa novel geração de antecipados: a sensibilidade (e ingenuidade sadia) de uma criança que soube sê-la verdadeiramente. É essa saudade de um tempo que não volta mais, engolido pela tecnologia e pela cibernética e pela prostituição infantil etc., que me fez escrever, sem pensar ao certo, essas linhas.
Escrito por Yuri Monteiro Brandão às 15h00
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ESPORTE E VIOLÊNCIA: UMA COMBINAÇÃO NADA PERFEITA.
Nesta semana a mídia veiculou algumas matérias referentes à violência dentro dos estádios de futebol, esclarecendo que, se nesses locais houvesse maior segurança e reinasse a paz, os clubes poderiam lucrar quase 50% a mais do valor atual, sem falar que muitas famílias que só não freqüentam tais ambientes por medo dos inúmeros atos violentos que assumiram a cotidianidade do normal poderiam aí encontrar um entretenimento.
Pensando nesse tema de suma importância, resolvemos dissertar acerca da intrigante questão: o esporte, e enfaticamente o futebol, contribui para desenvolver a amizade ou a rivalidade entre os povos?
O esporte, desde os tempos clássicos, sempre teve como escopo o congraçamento entre os povos. Nutrir uma mente sã num corpo sadio era notável ideário que contribuía para o melhoramento das raças (ou de uma única raça, a humana, como preferem alguns) e união de todos. Contudo, hodiernamente, se assiste a competições esportivas que têm propiciado um clima de violência, quer por desavenças partidárias, quer por intrigas políticas, quer por picuinhas pessoais.
Nesse sentido, vive-se a época da banalização da violência. No decorrer de eventos internacionais, por exemplo, é comum o confronto hostil dos atletas que guardam sentimento de rivalidade pelos mais variegados motivos. Parece estar em jogo a superioridade econômica ou histórica dessas nações.
Mas não apenas em nível mundial se torna evidente essa disputa inferior e anti-esportiva. O mesmo espírito de guerra é encontrado entre os pequenos e grandes clubes nacionais. Ninguém desconhece o fenômeno das torcidas organizadas, verdadeiramente beligerantes dentro e fora dos campos de competição.
Ultimamente, esse espírito agressivo filiou-se ao esporte de modo regional e universal. Não raro, aqui e acolá eclode uma contenda entre jogadores e torcedores. A brutalidade, a estupidez e a incivilidade ganham proporções absurdas, de tal sorte que os mais exaltados, muitas vezes, são presos ou mesmo mortos a pauladas e a tiros.
A contrario sensu, é relevante que se registre o fato de que o exercício do esporte também propicia momentos “harmoniosos” e de relativa paz. Recentemente, em 2003, palestinos e israelenses compartilharam juntos do jogo “Brasil versus Inglaterra” em considerável tranqüilidade; entretanto, é bem verdade que, após este, cessou-se a calmaria, a concórdia.
É deveras lamentável, pois, que um ideal inicialmente tão nobre inverta-se em páginas de violência e crônicas policiais. Quando não domina a emoção, o homem é capaz de regredir ao nível dos irracionais. E, nesse calor, queima-se toda razão e fenecem os ideais mais salutares.
Escrito por Yuri Monteiro Brandão às 23h02
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No texto abaixo, pretendemos apenas noticiar o que vem sendo decidido pelos Tribunais pátrios e apontar as divergências existentes entre os que encampam a idéia nele contida e os que não a dão guarida. É salutar que essas tendências convivam harmonicamente, para o bem comum de todos, sem que uma queira sobrepor-se à outra, seja pelo absolutismo religioso, seja pelo relativismo pagão dos tempos atuais. A propósito, muito se fala, com certa razão, em "Ditadura do Relativismo", que aniquila qualquer presunção de verdade. Talvez se agasalhe tanto o relativismo nos dias que correm porque já passamos demasiadamente por épocas de autoritarismos, de absolutismos. Isso é normal. Faz parte do processo histórico, que é altamente dinâmico. Se é verdade que temos de tomar cuidado com o excesso do "tudo é relativo" (e realmente é), não menos verdade é que, igualmente ou até mais, temos de ficar vigilantes para que jamais experimentemos novamente o "absolutismo", "a concentração desenfreada de poder", nem mesmo na mão do povo, de uma sociedade civil que, convenhamos, tem-se mostrado muito desorganizada e sem rumo. De qualquer maneira, quanto à liberdade democrática, "pode não ser a melhor coisa, mas que não tem coisa melhor...", como bem aduziu o professor Adriano Soares em seu blog.
No que tange à idéia do texto postado abaixo, compartilhamos, sem sombra de dúvidas, dos argumentos aventados por aqueles que defendem a legitimidade da união entre pessoas do mesmo sexo, assim como da possibilidade de estas adotarem crianças. Para nós, representa uma evolução na mentalidade do povo brasileiro e mundial. Se pensamos ser um atraso ir de encontro a isso sob a égide de argumentos religiosos? Afirmamos tão-somente que essa escolha, de acordo com suas premissas e justificativas, há de ser respeitada. Num Estado Democrático de Direito, ser moderno é também ser tolerante com as opções de cada um, com as múltiplas diferenças existentes em uma sociedade; é fazer prevalecer a vontade da maioria, tendo deferência pela minoria.
Escrito por Yuri Monteiro Brandão às 16h40
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UMA QUESTÃO INTRIGANTE E CONTROVERSA.
A 7ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul decidiu, ontem, pela possibilidade de adoção de crianças por um casal homossexual de mulheres, ratificando, assim, a sentença proferida em 1º grau (Proc.: 70013801592). Tal decisão confirma o que já vem sendo decidido por outros Tribunais e pode servir de modelo àqueles que ainda não se pronunciaram sobre tal matéria, uma vez que o TJ/RS é um “paradigma jurisprudencial”.
O Desembargador relator, ou seja, aquele para o qual o processo, ao chegar ao tribunal, foi distribuído, apregoou que “é hora de abandonar de vez os preconceitos e atitudes hipócritas desprovidas de base científica, adotando-se uma postura de firme defesa da absoluta prioridade que constitucionalmente é assegurada aos direitos das crianças e dos adolescentes”. Além disso, citou estudos especializados em diversos países, que não detectaram qualquer inconveniente na adoção de crianças por casais homossexuais, afirmando que “mais importando a qualidade do vínculo e do afeto que permeia o meio familiar em que serão inseridas e que as liga a seus cuidadores” (Destacado nosso).
Nesse mesmo sentido, a Desembargadora Maria Berenice Dias acrescentou que as crianças “têm duas mães, e a Justiça não pode negar isso”. Mencionou, ainda, que o vínculo de filiação afetivo, e não o biológico, vem sendo privilegiado pela jurisprudência: “O direito à convivência familiar constitui prioridade absoluta”. E terminou asseverando que “a pretensão da adotante é dar aos filhos a segurança de que terão direitos. A negativa apenas deixaria crianças ao desabrigo de um vínculo de filiação que já existe” (Idem).
É sabido que o assunto em baila causa muitas controvérsias, debates, discussões, mormente com setores das Igrejas, em especial a Católica Apostólica Romana, por ter maior representatividade. Tal postura, para os religiosos em geral, vai de encontro aos preceitos bíblicos. Não vamos aqui proceder àquela rabugenta crítica – desculpem-me a indelicadeza - sempre feita à Igreja Católica. Esta possui seus respeitáveis argumentos, assim como os que defendem ser uma evolução a questão posta.
Inicialmente, cumpre demarcar (e saber respeitar) o âmbito de argumentação de cada um desses setores sociais divergentes. Quem quiser comungar dos ideais e princípios do Catolicismo, através da fé, há de se adequar à orientação deste. Se se parte do pressuposto da fé, é salutar que igualmente se acredite nos preceitos do Evangelho, respeitando as opiniões religiosas. Não é de bom alvitre tecer comentários um tanto quanto panfletários e infundados contra o modo de pensar e de se comportar daqueles que concordam com tal ideal de vida. A propósito, para estes “críticos de araque”, recomendamos a leitura, com o espírito crítico e temperamentos sempre necessários, dos textos contidos no site do pe. alagoano Henrique Soares da Costa (www.padrehenrique.com). Doutro lado, aqueles que não crêem, não têm a mesma fé e acham normal e defensável a união entre homossexuais, bem como a adoção de crianças por estes, que sigam tal caminho. Se vêem nisso uma evolução, uma modernização saudável, possuem esse direito. Se concebem um Estado laico, desprendido de raízes religiosas, como juridicamente é o Estado brasileiro, não estão equivocados, sob tal óptica, em advogarem a favor da causa em foco. Só não podem impor isso àqueles que não agasalham esse pensamento, nem vice-versa. Aliás, é conhecido o adágio popular: “Cada qual com seu igual”.
Ademais, frise-se que defender a liberdade de opção pela homossexualidade não significa incitá-la e propagandeá-la, mas tão-somente a respeitar. Outrossim, não implica em cobrar a flexibilização total dos princípios do Evangelho. É certo, exceto a existência de Deus, que tudo é relativo, inclusive a relatividade. Não se pode cobrar, todavia, que a Igreja Católica ceda, a qualquer custo, a todas as “evoluções” da sociedade, tendo de abandonar sua própria ideologia, assentada na fé, e não na razão dos Iluministas. Ela tem que procurar adequar-se às mudanças históricas, sem que isso signifique, diga-se de passagem, eliminar as bases que a sustentam, as diretrizes traçadas, em última análise, pelo Pai no Evangelho.
Dessa forma, é razoável que se opte nem pelo fanatismo religioso e absoluto que cega e obsta o crescimento individual e coletivo, nem pelo relativismo pagão exacerbado que hoje se patrocina despudoradamente. Viva a convivência pacifíca!
Escrito por Yuri Monteiro Brandão às 15h01
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SPINOZA E A REALIDADE BRASILEIRA ATUAL
Muitas vezes, por ficarmos extáticos, pasmados, atônitos e até mesmo envergonhados, não nos damos conta, de plano, da gravidade de determinado fato. Posteriormente, fazendo uma reflexão deste e analisando o contexto político federal, sentimos uma vergonha institucional, uma desonra que nos ultraja, o povo brasileiro. O prezado leitor já deve estar desconfiando do que estamos a falar. Sim, é da deputada-dançarina, a petista de São Paulo Ângela Guadagnin, que comemorou a "vitória da impunidade" de seu colega parlamentar, João Magno, o qual, convenhamos, de “Magno” não possui nada, pelo menos de interessante e útil à coletividade.
Aliás, o sentimento dessa falta de decoro, de decência e dignidade é o que tem permeado todo o Governo Lula e o PT, o partido da estrela ruída. Pensamos, juntamente com o sociólogo Roberto Romano, que a eleição do operário, do “messias”, do “detentor maior da ética” foi simbolicamente uma espécie de terremoto ético e moral, tendo restado apenas um terreno devastado, vazio de tanta sujeira. E não obstante toda sorte de práticas ilícitas e imorais, com relevo para aquela que envolveu o famoso caseiro, em que se revelou a covardia escancarada de um governo contra um trabalhador, à qual se refere Baruch Spinoza, em seu “Tratado Político”, ainda temos de aturar um deboche quase que sem precedentes?!
No capítulo 4 do referido Tratado, o filósofo holandês descendente de judeus faz a seguinte indagação: “As autoridades erram?”. Sim, ele próprio responde. Os governantes erram quando “sua conduta é contrária à disciplina da razão”. E o ato de dançar em plenário foi deveras irracional! Uma representante do povo não tem o direito de agir impensadamente, porquanto sua conduta particular afeta a comunidade. Nós não podemos admitir isso, senão estaríamos convalidando tal atitude. E como aduz Spinoza: “A nação erra quando cumpre ou tolera atos que a levam à sua própria ruína”. Ademais, quem, no poder público, comporta-se com imprudência ou negligência, não pode invocar o direito de não ser ridicularizado e achincalhado, que teria como pessoa privada.
Nesse diapasão, seguindo o pensamento Spinozeano, importa, por oportuno, destacar um ponto de supina relevância: “... em determinadas circunstâncias, os cidadãos experimentam respeito ou medo diante do poder nacional. Desde que tais condições desapareçam, some o medo e o respeito, ou seja, morre a própria nação. Para se manter independente, a nação deve se fazer temida e respeitada, caso oposto não é mais uma nação. Os que encarnam a autoridade política não podem andar pelas ruas embriagados, ou pelados em companhia de prostitutas. Eles também não podem dar-se em espetáculo ridículo, ou ignorar abertamente as leis das quais foram os autores. Eles não conservariam desse modo a sua majestade, pois não é possível ser e não ser ao mesmo tempo. (Nam iis, vel ei, qui imperium tenet, aeque impossibile est, ebrium aut nudum cum scortis per plateas currere, histrionem agere, leges ab ipso latas aperte violare seu contemnere, et cum his maiestatem servare, ac impossibile est, simul esse et non esse). Eles não podem, pois, massacrar ou despojar seus governados, nem raptar meninas, nem serem culpados por algum crime tão grave, sem que o medo, até então sentido pelos governados, se transforme em grande revolta e sem que, por conseguinte, o estado de sociedade se transforme em estado de hostilidade” (Grifo inexistente no original).
O trecho do lúcido e tão vivo pensamento de Spinoza, por si só, já nos dispensa de quaisquer comentários ou demasiadas reflexões; porém, urge trazer à baila a observação feita por Roberto Romano, em sua coluna no jornal Correio Popular de Campinas, de 28/03/06: “O governo petista empregou o massacre contra um humilde governado (o caseiro, dizemos nós), para proteger o poderoso que não seguiu o respeito à opinião pública. Para comemorar a vitória da leniência, em favor de alguém que desobedeceu a lei, exatamente na Casa das Leis, uma deputada deu-se ao ridículo de dançar histrionicamente no plenário, onde deveria imperar o decoro” (Sublinhado nosso).
Com as inúmeras e vexatórias absolvições de parlamentares envolvidos com o “Mensalão” e/ou com o “Valerioduto”, bem como a despudorada “dança da pizza”, o Parlamento comprova que a corrupção e a impunidade são a sua moral coletiva. Todavia, ainda consoante com o supracitado filósofo, o povo brasileiro não é inerte, à semelhança de uma dura mesa. Ele tem entranhas, coração e inteligência. E se revolta contra os que debocham das leis mas querem ser respeitados.
Alfim, quanto à pergunta inicial, se temos de aturar esses deboches quase que sem precedentes, gostaríamos de terminar com as apropriadas palavras de Romano: “E segurem o tchãn, deputados! Nas urnas, muitos dos senhores dançarão”. E tomara que dancem mesmo!
Escrito por Yuri Monteiro Brandão às 15h07
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BRASIL, Nordeste, MACEIO, JATIUCA, Homem, de 20 a 25 anos, English, French, Livros, Política, Literatura, Música, Semiótica e Xadrez.
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